
A Venezuela vive momentos de profunda angústia após ser atingida pelo terremoto mais devastador registrado no país em mais de um século. De acordo com dados históricos fornecidos pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, os abalos sequenciais que aconteceram na última quarta-feira só ficam atrás, em intensidade, de um tremor ocorrido no distante ano de 1900. O cenário atual mobiliza equipes de resgate, voluntários e o governo local em uma verdadeira corrida contra o tempo.
Tudo começou no início da noite, às 18h04 no horário local, quando um primeiro abalo de magnitude 7,2 assustou os moradores a cerca de 200 quilômetros a oeste da capital, Caracas. Pouco menos de um minuto depois, a terra voltou a tremer com ainda mais força, alcançando uma magnitude de 7,5 nas proximidades do primeiro epicentro. A gravidade da situação foi ampliada por cerca de 30 réplicas que se sucederam, mantendo a população em constante estado de alerta e pânico.
O impacto humano e material impressiona. Os relatórios oficiais apontam que a tragédia deixou ao menos 164 mortos e 971 feridos. O rastro de destruição inclui dezenas de prédios desabados, cidades inteiras sem energia elétrica e ruas cobertas por cacos de vidro. Na capital, o desabamento completo de um edifício de 22 andares na região de Chacao concentrou os esforços de socorristas e voluntários, que enfrentaram a noite escalando escombros em busca de sobreviventes, iluminados apenas por lanternas e impulsionados pelo desespero de encontrar seus familiares.
Diante do caos, a presidente interina do país, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência e classificou a região litorânea de La Guaira como zona de desastre por ter sido o ponto mais severamente castigado. A infraestrutura de transportes também sofreu um duro golpe. O Aeroporto Internacional de Maiquetía precisou ser totalmente fechado devido a sérios danos estruturais, forçando passageiros e moradores a passarem a noite acampados em seu estacionamento. Como alternativa para o recebimento de ajuda e voos oficiais na Grande Caracas, resta o Aeroporto Militar de La Carlota.
A magnitude do tremor foi tamanha que o abalo pôde ser sentido em países vizinhos. Na Colômbia, moradores de Bogotá evacuaram prédios por precaução. No Brasil, moradores de capitais como Manaus e Belém, além de cidades como Macapá, Santarém e Cutias do Araguari, também relataram ter sentido o reflexo das ondas sísmicas.
Em meio à dor, uma grande rede de solidariedade internacional começou a se formar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou prontidão para agir rapidamente no suporte ao povo venezuelano. A Alemanha colocou à disposição o Airbus A400M, um avião militar robusto e preparado para apoiar de forma direta as operações logísticas de resgate. Na América Latina, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, reafirmou a determinação de apoiar o governo de Delcy Rodríguez e informou que avalia o envio imediato de ajuda humanitária para auxiliar na recuperação das áreas afetadas.
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