A jovem Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, resgatada após passar cinco dias desaparecida em Águas Lindas de Goiás, informou neste sábado, 22 de agosto, que recebeu alta hospitalar e já está em casa.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Emiliane agradeceu a familiares, amigos, moradores e todas as pessoas que participaram da mobilização para encontrá-la.
“Eu venho aqui tranquilizar o coração de todas as pessoas que gostam de mim, todas as pessoas que se locomoveram para me ajudar a me encontrar”, afirmou.
Ainda com ferimentos, a jovem explicou que recebeu muitas mensagens desde o resgate, mas que enfrenta dificuldades para responder.
“Os meus dois olhos ainda estão muito prejudicados. Algumas pessoas que eu respondi, eu respondi tudo errado. Eu estou muito ferida ainda”, relatou.
Emiliane segue tomando medicamentos e espera se recuperar para conseguir responder às manifestações de carinho e apoio.
Ao falar sobre o período em que permaneceu presa, Emiliane afirmou acreditar que o ex-companheiro, Ailton Rodrigues, não pretendia permitir que ela deixasse o imóvel.
Segundo seu relato, havia mantimentos suficientes na residência para permanecer no local durante um longo período.
A jovem atribuiu o resgate à mobilização de familiares e da comunidade.
“Se não fosse o esforço da minha família, do meu bairro, da minha cidade, eu não estaria aqui para contar história”, declarou.
Emiliane também relatou ter sofrido agressões enquanto esteve em cativeiro e afirmou que ainda apresenta ferimentos pelo corpo.
Segundo ela, o relacionamento com o suspeito havia terminado em dezembro de 2025.
A família comunicou o desaparecimento da jovem na segunda-feira, 17 de agosto. Naquele dia, imagens de uma câmera de segurança registraram Emiliane deixando uma clínica no bairro Jardim Barragem I e seguindo em direção ao Setor 10.
Na sexta-feira, 21, policiais da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) passaram a investigar a possível participação do ex-companheiro no desaparecimento.
Segundo a Polícia Militar, Ailton dirigia um veículo quando teria desobedecido a uma ordem de parada e fugido. Ele acabou sendo abordado no Setor Jardim Querência.
Durante as diligências, os policiais chegaram a uma residência no Setor Jardim América III, que teria sido alugada pelo suspeito poucos dias antes.
Os militares decidiram entrar no imóvel após ouvirem ruídos vindos do interior da casa.
Em um dos quartos, encontraram Emiliane amordaçada e com braços, pernas e pescoço presos. Segundo a Polícia Militar, foram utilizadas cordas, algemas e uma corrente.
A jovem também apresentava dificuldades para respirar e estava com uma máscara no rosto.
Após Emiliane ser localizada, o Corpo de Bombeiros foi acionado para auxiliar na retirada das correntes.
A jovem foi encaminhada ao Hospital Municipal de Águas Lindas de Goiás, onde recebeu atendimento médico. Conforme as informações divulgadas, seu estado era estável. Posteriormente, ela recebeu alta e retornou para casa.
Durante as buscas no imóvel, os policiais também encontraram e apreenderam uma pistola calibre 9 mm.
A Polícia Civil informou ter identificado um histórico de violência doméstica envolvendo Emiliane e o suspeito. As circunstâncias e a motivação do crime continuam sendo investigadas.
Ailton Rodrigues foi preso em flagrante e, segundo as informações divulgadas até o momento, deve responder por crimes relacionados ao sequestro e ao porte ilegal de arma de fogo.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito teria confessado que dopou a ex-companheira com medicamentos e depois a levou para o imóvel onde ela foi localizada.
A defesa do suspeito não havia sido localizada até a última atualização divulgada sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.
Depois de agradecer a todos que participaram das buscas, Emiliane afirmou que pretende acompanhar o caso e buscar a responsabilização pelo que sofreu.
“Agora é o início de toda a gente buscar a justiça por tudo o que foi feito comigo”, declarou.
A jovem também pediu apoio para que o caso não seja esquecido e para que outras mulheres não sejam vítimas de situações semelhantes.
O caso segue sob investigação das autoridades de Goiás.