O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a campanha digital do candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e de seu vice, Aroldo Medina. A medida trava a divulgação de propaganda nos perfis que ficaram de fora da declaração oficial, bloqueia os repasses do Fundo Eleitoral e proíbe a presença da chapa em debates na TV, rádio, podcasts e outros veículos de comunicação.
A punição não impede a campanha corpo a corpo. Caminhadas, panfletagens e atos de rua continuam liberados.
O motivo da punição
Pela regra eleitoral brasileira, todo candidato precisa listar os endereços de suas redes sociais logo no registro da candidatura. Essa exigência serve para que a Justiça e as próprias plataformas identifiquem os canais oficiais e desliguem a recomendação orgânica de algoritmos — evitando que o sistema entregue propaganda eleitoral como se fosse conteúdo comum de usuário.
Toffoli apontou que a chapa do Missão cometeu uma "omissão estratégica" ao enviar parte dos links 12 dias após o prazo limite. Segundo o ministro:
Perfis não declarados continuam circulando sem o filtro da Justiça Eleitoral, operando como contas normais e ganhando alcance indevido.
Em uma eleição curta (cerca de 45 dias), quase duas semanas de vantagem nas redes distorcem a disputa.
O atraso não é uma simples falha burocrática, já que mexe diretamente com o equilíbrio da propaganda na internet.
O que diz o candidato
Após o despacho, Renan Santos publicou uma foto com a palavra "censurado" no rosto e declarou em vídeo que vai recorrer da decisão. O candidato classificou o ato como perseguição política e afirmou que a punição ocorre porque ele liderou quatro manifestações públicas contra o ministro Dias Toffoli ao longo do último ano.