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Pesquisas com Álvaro Dias na liderança entram na mira da PF por suspeita de fraude no RN

Apesar das investigações policiais, nenhum dos dois levantamentos teve a veiculação barrada pela Justiça até o momento.

Radialista Jair Bala
Por: Radialista Jair Bala Fonte: Radialista Jair Bala RN
01/09/2026 às 20h50
Pesquisas com Álvaro Dias na liderança entram na mira da PF por suspeita de fraude no RN
Sede do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte, em Natal, onde tramitam as representações contra os institutos de pesquisa — Foto: Julianne Barreto/Inter TV Cabugi

A disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte em 2026 já soma nove pesquisas eleitorais contestadas na Justiça, mas apenas dois casos saíram da esfera administrativa e foram parar na Polícia Federal: justamente os dois levantamentos que apontavam o ex-prefeito Álvaro Dias (PL) em primeiro lugar.

A apuração criminal envolve os institutos Ipsensus e Média Inteligência em Pesquisa. Ao contrário de uma simples suspensão por falha técnica de cadastro, o Ministério Público Eleitoral e a Justiça apuram crimes como divulgação de pesquisa fraudulenta, falsidade ideológica e manobras para travar a fiscalização dos partidos.

O que a Justiça encontrou nos dados

A abertura do inquérito contra o Ipsensus decorreu de inconsistências detectadas na base de dados entregue ao TRE-RN, após cobrança de partidos adversários:

  • Ritmo humanamente impossível: um único pesquisador teria aplicado 620 questionários presenciais em apenas cinco dias; outro teria passado por 45 municípios para fazer 477 entrevistas.

  • Dados duplicados e sem GPS: foram localizados formulários repetidos com códigos idênticos e ausência total de registros de geolocalização.

  • Estrutura suspeita: equipe com códigos cruzados, estatístico com duplicidade de registro profissional e indícios de que o instituto atuava como empresa de fachada para a Média Inteligência.

No caso da Média (contratada pelo portal O Potengi), a Procuradoria Regional Eleitoral apontou que 450 entrevistas foram registradas em 2 de julho, um dia antes de o levantamento ser formalizado no sistema da Justiça. Além disso, as coordenadas de GPS enviadas indicavam pontos a centenas de quilômetros das cidades onde as pessoas deveriam ter sido ouvidas.

Apesar das investigações policiais, nenhum dos dois levantamentos teve a veiculação barrada pela Justiça até o momento.

Multas e suspensões atingem os dois lados

Embora apenas os casos ligados a Álvaro tenham virado caso de polícia, as punições administrativas atingiram ambas as pré-campanhas:

  • Pesquisas pró-Álvaro barradas: quatro levantamentos acabaram suspensos por problemas amostrais — três do Instituto Veritá (com distorções na escolaridade dos entrevistados e datas de divulgação) e um do Affare Institute (com discrepância na renda declarada). As multas somadas superam R$ 150 mil.

  • Pesquisas pró-Allyson barradas: quatro consultas que davam vantagem a Allyson Bezerra (União Brasil) também caíram por falhas técnicas, como falta de detalhamento dos bairros ou erros de método, envolvendo Data Census, Seta, Item e DataVero. Em nenhum desses casos a Justiça apontou indício de dolo ou fraude deliberada.

Até o momento, ninguém foi indiciado ou condenado. A Polícia Federal segue na fase inicial de coleta de provas para determinar se houve fabricação deliberada de dados eleitorais.

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