
Uma nova gravação de áudio obtida pela Polícia Federal revelou conversas privadas envolvendo o ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e parlamentares. Em mensagem encaminhada a um grupo de WhatsApp, Faria fez referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pelo apelido de “careca” ao informar que o magistrado não poderia participar de uma viagem a Trancoso, no litoral baiano.
O registro, enviado em 22 de agosto de 2025, integrava um grupo composto por Fábio Faria, Daniel Vorcaro, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Na gravação, o ex-ministro da gestão Jair Bolsonaro afirmou que “o Alexandre não vai poder Trancoso” e completou dizendo que “só não vai o careca”.
Intermediação e contratos investigados
As mensagens reforçam os relatórios da Polícia Federal apresentados em setembro de 2026, que apontam a atuação de Fábio Faria como intermediário de contatos e encontros entre o banqueiro e o integrante da Suprema Corte a partir de 2023.
O apelido também já havia surgido em diálogos de março de 2024 relacionados a pagamentos para o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Na oportunidade, Faria orientou Vorcaro a efetuar repasses dizendo: “Manda pagar a ele. O careca não pode atrasar”. O contrato firmado entre a instituição financeira e o escritório alcançava cerca de R$ 131 milhões.
Em manifestações anteriores, o ex-ministro alegou que as orientações de pagamento tratavam exclusivamente de honorários por atuação jurídica em um processo de Vorcaro na Justiça paulista e declarou desconhecer os valores globais do contrato. As investigações da PF ponderam que as gravações e os diálogos, isoladamente, não comprovam irregularidades cometidas pelo ministro Alexandre de Moraes, tampouco se a viagem a Trancoso foi efetivada.
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