
O Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte (MPT-RN) abriu um procedimento investigatório para apurar a conduta da empresária Camila Rodrigues, proprietária das marcas de moda feminina Pitanga Brasil e PB Move, localizadas na Grande Natal. A apuração foi motivada por um vídeo publicado por ela nas redes sociais no domingo (25), após o encerramento da votação do segundo turno das Eleições 2026.
Na gravação, a empresária afirmou categoricamente que não contrataria apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). “Se você é petista, não me mande currículo”, declarou no vídeo, acrescentando que seria “totalmente intolerante ao petista”.
Consequências jurídicas e tese de assédio eleitoral pós-pleito
Segundo o procurador-chefe do MPT-RN, Gleydson Gadelha, atos de retaliação e discriminação praticados após a divulgação do resultado das urnas também se enquadram como assédio eleitoral.
“A gente chama de fase punitiva, quando os empregadores começam a cumprir as ameaças que eles fizeram durante a campanha. Nós entendemos que isso é uma forma de assédio eleitoral também”, explicou o procurador.
A investigação iniciou com a checagem da autenticidade do conteúdo audiovisual. Caso sejam confirmados ilícitos trabalhistas ou violações à liberdade partidária, a empresária poderá responder por conduta discriminatória na relação de trabalho e sofrer sanções administrativas, com multas que podem atingir a casa dos milhares de reais. O caso também poderá ser compartilhado com o Ministério Público Eleitoral e com a Auditoria Fiscal do Trabalho.
atinge a marca de 42 denúncias formais de assédio eleitoral registradas pelo MPT-RN desde o início do período de campanha no estado, com casos que originaram inclusive ações judiciais com pedidos liminares para remoção de conteúdos ofensivos da internet.
Retratação pública da empresária
Diante da repercussão negativa e do desdobramento jurídico, Camila Rodrigues divulgou notas oficiais de retratação nas páginas de suas empresas. Ela admitiu que as declarações foram inadequadas e pediu desculpas públicas aos atingidos.
"Reconheço que algumas palavras foram inadequadas, especialmente ao afirmar que não receberia currículos de pessoas em razão de suas preferências políticas. Reconheço meu erro e peço sinceras desculpas. Reafirmo meu compromisso de que as contratações da Pitanga Brasil sejam pautadas por critérios profissionais, sem discriminação político-partidária", publicou a empresária.
O MPT-RN reforça que os canais de denúncia permanecem abertos em seu site oficial de forma remota e sigilosa para trabalhadores que sofram ameaças, demissões sumárias ou recusa de vaga por posicionamento político.
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