
A febre do "mundo fitness" transformou a proteína na protagonista absoluta das prateleiras. De iogurtes a biscoitos, o selo high protein tornou-se o maior chamariz de vendas da indústria alimentícia. No entanto, o que muitos consumidores ignoram é que o nutriente essencial para a construção muscular pode se tornar um vilão quando consumido sem critério.
Estudos e especialistas apontam que o exagero não apenas trava o emagrecimento, como pode levar ao acúmulo de gordura e a danos severos em órgãos vitais, como os rins.
Existe uma crença limitante de que, para ganhar massa muscular, o consumo de proteína deve ser ilimitado. Contudo, a biologia humana possui um teto de absorção.
"Se consumimos proteína em excesso, o organismo não a utiliza para sua finalidade principal, que é a constituição muscular. Esse excedente é armazenado e pode ser convertido em gordura corporal", explica a nutricionista Lara Natacci.
O corpo humano aproveita, em média, apenas 25 a 30 gramas de proteína por refeição. O que ultrapassa essa marca acaba sobrecarregando o sistema metabólico ou sendo estocado como reserva energética (gordura), frustrando quem busca a definição física apenas através da dieta hiperproteica.
A quantidade ideal de proteína é alvo de debates internacionais. A pesquisadora da USP, Sophie Deram, destaca que as orientações variam drasticamente:
OMS (Organização Mundial da Saúde): Recomenda entre $0,8$ a $1,2$ gramas por quilo de peso.
Diretrizes dos EUA: Sugerem uma ingestão maior, entre $1,2$ e $1,6$ gramas por quilo.
Para o brasileiro médio, a recomendação básica gira em torno de 1 grama por quilo de peso por dia, distribuída equilibradamente entre as refeições. "Não é se entupindo de proteína que você vai ganhar músculo; depende de quanto você malha e do equilíbrio do prato", reforça Sophie.
O caso do ex-atleta Tiago Guzoni, de 30 anos, serve como um alerta dramático. Na busca por desempenho, Tiago elevou drasticamente sua ingestão proteica mediante carnes e suplementos. O resultado? Após dois anos, ele descobriu que seus rins operavam com apenas 50% da capacidade.
O excesso de nitrogênio proveniente da metabolização das proteínas sobrecarrega os rins. O perigo é agravado pelo fato de que doenças renais são silenciosas, manifestando sintomas apenas em estágios avançados. Exames simples de creatinina e urina são fundamentais para monitorar essa saúde, especialmente para quem adota dietas restritivas.
A indústria de suplementos, como a do whey protein, defende a praticidade de seus produtos. Embora o whey não seja considerado um ultraprocessado, ele vem frequentemente acompanhado de:
Adoçantes artificiais;
Aromatizantes;
Espessantes.
Ao comparar uma barrinha de proteína (aprox. 15g de proteína) com dois ovos (13g de proteína), a diferença nutricional é gritante. Enquanto o ovo oferece vitaminas e minerais essenciais, muitas barrinhas carregam altos índices de gordura saturada.
A proteína é, sem dúvida, um pilar da saúde, responsável pela formação de tecidos, hormônios e enzimas. Todavia, a ciência é clara: para a maioria da população, a comida de verdade — o clássico prato de arroz, feijão, carne e salada — é mais do que suficiente para suprir as necessidades diárias.
Antes de investir em suplementos caros ou dietas da moda, a consulta com um nutricionista e a realização de exames preventivos são os verdadeiros "atalhos" para um corpo saudável e funcional.
Saúde: Natal reforça cuidados após primeiro caso de Mpox de 2026
Saúde: Bolsonaro completa 48 horas na UTI com infecção no pulmão; médicos ampliam tratamento
Saúde: Febre das canetas emagrecedoras preocupa diante de possíveis impactos na visão
Saúde: Hospital Severino Lopes retoma atendimentos psiquiátricos via SUS em Natal após acordo com a Prefeitura
Saúde: Prescrição em menos de 30 segundos: como a IA está mudando a rotina dos médicos no Brasil
Meta cria alerta Instagram avisará pais quando adolescentes pesquisarem sobre suicídio na plataforma Mín. 24° Máx. 31°