
O cinema mundial despede-se de uma de suas figuras mais viscerais e respeitadas. Robert Duvall, o eterno Tom Hagen de O Poderoso Chefão, faleceu neste domingo (15), aos 95 anos. A confirmação veio nesta segunda-feira (16) por meio de um comunicado emocionado de sua esposa, a atriz Luciana Pedraza. Segundo a publicação, o artista faleceu em casa, de forma tranquila, cercado por familiares.
Robert Duvall não era apenas um ator; ele era um camaleão que elevava o nível de qualquer produção em que estivesse presente. Sua trajetória começou no teatro nos anos 50, mas foi em 1962 que ele fez uma estreia magistral no cinema como o misterioso Boo Radley em O Sol é Para Todos.
Ao longo dos anos, Duvall consolidou-se como o ator favorito de grandes diretores, especialmente Francis Ford Coppola. Sua interpretação como o consigliere da família Corleone em O Poderoso Chefão (I e II) rendeu-lhe aclamação mundial e a primeira de suas sete indicações ao Oscar.
Embora tenha interpretado militares rígidos e líderes imponentes, foi na pele de um cantor country decadente e alcoólatra que Duvall atingiu o topo da Academia. Em 1983, protagonizou "A Força do Carinho" (Tender Mercies), desempenho que lhe garantiu o Oscar de Melhor Ator. Sua entrega ao papel foi tamanha que ele mesmo compôs e cantou as canções do filme, demonstrando uma versatilidade rara.
Apocalypse Now (1979): O inesquecível Tenente-Coronel Bill Kilgore e sua frase icônica sobre o "cheiro de napalm pela manhã".
O Grande Santini (1979): Uma atuação poderosa como um rígido pai de família militar.
O Apóstolo (1997): Projeto que ele mesmo escreveu e dirigiu, mostrando sua faceta de cineasta.
O Juiz (2014): Sua última indicação ao Oscar, contracenando com Robert Downey Jr.
Duvall pertencia a uma geração de ouro de Nova York, tendo dividido apartamento e sonhos com nomes como Dustin Hoffman e Gene Hackman no início da carreira. Conhecido por sua técnica sutil e realista, ele evitava o excesso de "atuação", buscando sempre a verdade humana por trás de cada linha de diálogo.
Sua esposa, Luciana, destacou em nota: "Para o mundo, ele era um ator vencedor do Oscar, diretor e contador de histórias. Para mim, ele era tudo. Bob se dedicava totalmente aos personagens e à verdade humana que eles representavam".
A partida de Robert Duvall encerra um capítulo fundamental da história de Hollywood. Ele deixa um legado de autenticidade e uma lição para as futuras gerações de artistas: a de que não existem papéis pequenos quando se tem uma presença monumental. O blog JB Notícias presta sua homenagem a este gigante da sétima arte.
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