
Diálogos obtidos pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, trocou mensagens com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para tentar antecipar uma operação policial contra ele. O conteúdo do relatório da PF, antes em sigilo, foi liberado pelo ministro André Mendonça e enviado para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
As conversas revelam que Vorcaro tentava descobrir a data exata da ação e chegou a cogitar fugir do Brasil:
15 de novembro (sábado): Vorcaro pergunta diretamente a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
16 de novembro (domingo): Um dia antes do mandado, o banqueiro insiste no WhatsApp: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. No mesmo dia, propõe uma reunião presencial: “Às 14h então, na sua casa ou na minha?”.
17 de novembro (segunda-feira): Vorcaro acabou preso pela PF no Aeroporto Internacional de São Paulo enquanto tentava embarcar em um jato executivo.
Entenda o caso
Vorcaro foi o principal alvo de uma ofensiva que apurou a emissão e venda de títulos de crédito falsificados. Segundo a PF, o Banco Master oferecia CDBs com rentabilidade prometida de até 40% acima da taxa básica de juros do mercado, um rendimento considerado fictício e insustentável pelas investigações.
Nas mensagens, o empresário demonstrou revolta com o avanço da apuração e escreveu que precisava "dar um jeito de desarmar isso", alegando que a operação destruiria os seus negócios de forma definitiva.