
O Ministério Público Federal (MPF) decidiu levar à Justiça os envolvidos na "Operação Faraó", esquema que desviou verbas do projeto Sífilis Não, no Rio Grande do Norte. As denúncias, que incluem crimes de peculato e improbidade administrativa, revelam um cenário de ostentação bancado com dinheiro que deveria ser usado para combater a doença no país.
As investigações, que começaram em 2017, apontam que o grupo ligado ao Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais/UFRN) tratava o orçamento do Ministério da Saúde como conta particular. Entre os abusos listados pelo MPF, chamam a atenção os gastos com jantares sofisticados regados a vinho, cachaça e lagosta, além de viagens para a Europa com familiares, tudo pago com recursos públicos.
Cabide de empregos e bolsas vultuosas O esquema não parava nos jantares. Segundo o MPF, um dos denunciados incluiu a própria esposa no projeto para receber uma bolsa de R$ 10 mil mensais. Outro investigado, sem qualquer qualificação técnica, recebeu três bolsas de R$ 7 mil apenas por ser uma "ponte" facilitadora entre o Ministério da Saúde e a fundação que geria o dinheiro (Funpec).
Cartão corporativo e prejuízo milionário Além das bolsas, o grupo teria usado cartões corporativos de uma associação do setor médico para bancar quase R$ 150 mil em despesas pessoais não previstas no contrato. No total, a Operação Faraó, feita em conjunto com a PF e a CGU já rastreou rombos que se estendem por São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal.
Se condenados por peculato, os acusados podem pegar até 12 anos de prisão. Na esfera civil, a ação de improbidade pode custar o cargo público dos envolvidos, além da suspensão de direitos políticos e o confisco de bens para ressarcir o Estado.
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