
O cenário de contaminação por ciguatera no Rio Grande do Norte acendeu o alerta vermelho para as autoridades de saúde e para os consumidores de pescado. Apenas nos primeiros cinco meses de 2026, o estado já registrou 20 pessoas com confirmação laboratorial para a doença. Os dados da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) mostram uma explosão nos índices: já são 27 surtos e um total de 131 pessoas que ficaram doentes este ano por conta da toxina.
O salto estatístico chama a atenção quando comparado aos anos anteriores. Em 2025 inteiro, o RN contabilizou 13 surtos. Agora, o número mais do que dobrou antes mesmo do fim do primeiro semestre. Além dos casos confirmados, há 64 pessoas com suspeita da intoxicação e outras 44 que testaram positivo para histamina, o que indica fortes reações alérgicas ligadas ao consumo de peixes. No acumulado entre 2022 e 2026, o estado já soma 249 pacientes afetados por problemas semelhantes.
A gravidade da situação ficou evidente com a morte de Maria das Dores do Nascimento Batista, de 84 anos, em Natal. Dona Dorinha, como era conhecida, ficou internada por um mês após consumir peixe comprado em uma feira livre da capital potiguar durante um almoço em família. A irmã dela também foi hospitalizada, mas se recuperou em uma semana. A idosa sofreu complicações graves, passou pela UTI e não resistiu. O sepultamento ocorreu na cidade de Alto do Rodrigues.
A ciguatera é uma intoxicação alimentar causada por uma toxina produzida por microalgas que vivem em áreas de corais e recifes. O problema se espalha em cadeia: os peixes menores consomem essas algas e, em seguida, são predados por peixes maiores e carnívoros, que concentram uma carga ainda mais perigosa da substância.
O grande perigo da ciguatoxina é que ela é invisível, não tem cheiro e não altera o sabor do alimento. Além disso, a substância é extremamente resistente: fritar, assar, cozinhar, congelar ou salgar o peixe não elimina o risco. A toxina permanece ativa mesmo após o preparo, concentrando-se principalmente na cabeça, nas vísceras e nas ovas do animal.
Os sintomas costumam aparecer entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do peixe contaminado. Os principais sinais são dores abdominais fortes, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, coceira intensa, fraqueza muscular e um gosto metálico na boca. Não existe um antídoto ou tratamento específico para a ciguatera; os médicos cuidam dos sintomas para aliviar o paciente, e o mal-estar pode persistir por semanas.
A recomendação da Sesap é procurar atendimento médico imediatamente caso note os sintomas, informando que comeu peixe nas últimas 48 horas. A orientação também inclui evitar o consumo de pescados de procedência desconhecida ou sem fiscalização sanitária. Se possível, a população deve congelar e guardar uma sobra do peixe consumido para que a Vigilância Sanitária possa recolher e analisar o material.
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