O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou pessoalmente Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a não vender a instituição ao BTG Pactual por R$ 1. O encontro ocorreu em 4 de dezembro de 2024, no Palácio do Planalto, segundo revelou o portal Poder360.
Na ocasião, Vorcaro buscou orientação sobre uma proposta de aquisição feita pelo banco comandado por André Esteves, que ele apresentava como forma de reduzir a concentração bancária no país. Lula, porém, desaconselhou o negócio e criticou tanto Esteves quanto o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A reunião contou com a presença de Gabriel Galípolo já indicado na época para suceder Campos Neto à frente do BC, do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e de outros três participantes. Vorcaro interpretou a convocação de Galípolo como um sinal de apoio governamental à permanência do Master sob seu controle.
Após o encontro, o banqueiro relatou à namorada que a conversa havia sido “ótima” e destacou o peso político da reunião, com a participação direta do futuro chefe do BC e de ministros.
Seguindo o conselho de Lula, Vorcaro iniciou negociações em março de 2025 para vender o Master ao BRB, banco estatal do Distrito Federal. No entanto, a operação enfrentou resistências regulatórias e foi vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.
Diante dos obstáculos, mensagens apreendidas pela Polícia Federal em 10 de abril de 2025 mostram que Vorcaro retomou conversas com seu sócio, Augusto Lima, sobre retornar à proposta original com o BTG, pedindo “sigilo absoluto”. Apesar das tentativas, nenhuma das duas vendas foi concluída até a presente data.